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Blog de lucianohanna
 


RECADO AOS PORCOS

   Durante a agressão israelense sofrida pelo líbano em 2006, que alguns chamaram de guerra (o conceito de guerra, engraçado, envolve, no mínimo, dois exércitos!), a comunidade sírio-libanesa em Belo Horizonte (a segunda maior do país - só menor que a de São paulo) se reuniu para discutir o conflito. O presidente de uma grande empresa de Minas Gerais, sediada em Belo Horizonte, se disse perplexo com os acontecimentos e contrário aos atos praticados pelo Hisbolah. Sentado, imagino, em sua poltrona de coro legítimo, pensou, o ilustre cidadão brasileiro, descendente de libaneses: porque esses "terroristas" insistem em denegrir a minha imagem? Não imaginava, ele, o porquê de um ser humano se lançar em um ato suicida.

  Vocês já se perguntaram o porquê de um ser humano, SER, igual a nós, colocar uma bomba em sua barriga e explodi-la na presença de outras pessoas? Por prazer?

  Voltando à reunião, muitos dos presentes se mostraram indignados. Indignados, porém, com a posição do "grande" empresáiro. Isto até me confortaria um pouco se não fosse a lembrança, em minha mente, das palavras do "grande empresário": "minha filha já está sendo chamada de terrorista no colégio"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  Interessante. Penso eu que o problema não é da filha desse ilustre representante do empresariado mineiro (e nego-me a chamá-lo de libanês, em respeito aos meus avós, Najla e João). O problema é da educação recebida (no caso, sofrida!) pela pobre menina.

  Meu sobrenome libanês é HANNA e isso foi motivo de muita chacota na escola, durante anos. Isto, porém, nunca abalou meu sentimento ou a idéia sobre meus avós, sobre mim ou sobre a minha procedência. Sabem porque? Por que recebi uma GRANDE educação de minha mãe, de meu avós e de meu pai, e, este último, sem ser libanês ou mesmo descendente de libaneses (pelo contrário, era de família tradicional do triângulo mineiro), sempre me incutiu a grandeza de pertencer a uma grande civilização! Se hoje inferior materialmente, ontem, superior, não emporta: espiritualmente, sempre ela, a civilização do idioma, o início e, talvez, ironicamente, por isso, o fim! Mas nunca terrorista.

  Por isso, para quem se adequar ao recado: FODAM-SE!!!!!!!!!!!!!!!

 



Escrito por lucianohanna às 05h01
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ISRAELIXO

Por: Gilson Gondim em 12 de Junho de 2007

Artigo publicado também na revista Bazar, da livraria O Sebo Cultural

Era uma vez um povo que se dizia escolhido por Deus, na maior manifestação de racismo de que se tem notícia. O tal povo queria uma determinada terra e “legitimou” suas pretensões escrevendo, num livro supostamente sagrado, que aquela terra lhe fora prometida por Deus. O problema era que aquela terra era habitada por uma meia dúzia de povos, “detalhe” um tanto incômodo para os pretendentes. Como resolver o problema? Simples: atribuir ao tal Deus “de Abraão, Isaque e Jacó” a ordem para exterminar totalmente os povos que habitavam a “Terra Prometida”: “Não deixareis vivo nada que respire”. E assim tivemos um genocídio supostamente abençoado por Deus.

O tempo passou, muita coisa aconteceu, o “povo de Deus” acabou expulso da terra que tomara com tanto sangue. Foi expulso pelos romanos. Até que um dia o povo resolveu voltar. Só havia um “pequeno” problema: a terra era habitada havia séculos por outro povo. Não os romanos que os haviam expulsado, mas outro povo, conhecido como palestinos, habitantes da Palestina, o nome daquela terra. O que fazer com os palestinos? Exterminá-los teria sido ótimo, Mas teria sido um pouco demais para o estômago do mundo. Então eles foram expulsos. Expulsos, tiveram suas terras roubadas. Muitos morreram na tentativa vã de resistir ao roubo coletivo de que foram vítimas. Os sobreviventes se tornaram refugiados em terras vizinhas, amontoados em campos miseráveis. Os invasores, os “escolhidos de Deus”, tomaram e ocuparam até mesmo o litoral, que jamais fora deles. Eram os novos senhores da região.

Quase vinte anos depois, ocuparam o pouco que restara aos palestinos e começaram a tomar essa terra aos poucos, por meio de famigerados “assentamentos” ou colônias, que, além de tudo, têm acesso privilegiado a recursos como água e energia elétrica. Poderiam fazer a paz devolvendo os territórios tomados em 1967, mantendo o que roubaram em 1948. Mas não querem. Não querem devolver nada; querem ficar com tudo e tomar o resto. E metem bala e bomba em quem ousa esboçar uma resistência. Recentemente massacraram 1.600 civis no Líbano, inclusive sete brasileiros. Perseguem no mundo inteiro quem ousa criticá-los, quem ousa dizer a verdade: Israel é um Estado criminoso, assassino, genocida, ladrão de terras, racista, expansionista, militarista, nazista… Israel é um Estado judeu; se é um Estado judeu, é um Estado racial; se é um Estado racial, é um Estado racista, em que outros povos têm no máximo o direito de ser minoria. Israel não anexa oficialmente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, dando aos palestinos o direito de voto, porque deixaria assim de ser um Estado judeu, o que prova o caráter racista do Estado de Israel.

Daí o título deste artigo. Israelixo porque Israel é o lixo moral da humanidade. Não há, no mundo de hoje, nada mais opressivo e injusto do que o Estado de Israel, o Estado daquele que se considera o povo eleito, os preferidos de Deus, conceito de um racismo evidente e atroz. O Estado de Israel merece, portanto, o repúdio de todas as pessoas decentes do mundo inteiro. Israelixo.

* * *

O Estado de Israel, além de tudo, é a ponta de lança do Império americano no Oriente Médio. O Estado americano sustenta Israel com esmolas que somam três bilhões de dólares anuais. Sem esse dinheiro, Israel já teria deixado de existir há muito tempo.

* * *

É notório que Israel possui bombas atômicas, sem ser incomodado por ninguém por causa disso, nem pelos Estados Unidos nem pela ONU nem pela Agência Internacional de Energia Atômica. Com que moral eles tentam impedir que o Irã desenvolva armas nucleares?

* * *

Por fim, um fato bizarro: o grande ídolo do Ocidente, Jesus Cristo, é frontalmente repudiado pelos judeus, que o consideram um falso messias, um farsante, um impostor, enquanto os muçulmanos consideram Jesus um de seus nove profetas. Mesmo assim, os evangélicos brasileiros e norte-americanos veneram, cultuam e idolatram os judeus e o Estado de Israel, enquanto odeiam intensamente os muçulmanos. Bizarro, não?



Escrito por lucianohanna às 03h55
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Por: Gilson Gondim em 14 de Dezembro de 2007

Site De Olho na Mídia confessa que difamou historiador Sander Gilman

Por causa do SITE MAFIOSO-SIONISTA (GRIFO MEU) De Olho na Mídia, pelo qual é juridicamente responsável, a rica e poderosa Federação Israelita do Estado de São Paulo está bem encrencada. Está sendo processada por mim, por danos morais e materiais, e confessou sua culpa ao não apresentar uma petição de defesa, apesar de devidamente citada, notificada e intimada, caindo assim no binômio revelia/confissão. Aguarda-se sentença.

E agora o site da Federação Israelita do Estado de São Paulo confessa que difamou o historiador Sander Gilman, da Unicamp, expondo como anti-semita um artigo acadêmico que, agora eles dizem, não era afinal anti-semita. Isto é grave, muito grave, porque não se trata de um mero erro, mas da prática dos crimes de difamação e calúnia.

A gafe do site mafioso-sionista mostra, entre outras coisas, que o referido site critica textos sem tê-los lido, atitude no mínimo leviana. E, quando uma atitude leviana leva à prática de crimes, como é o caso, ela se torna mais do que leviana: torna-se criminosa. Está na hora de a Federação Israelita do Estado de S. Paulo pagar pelos seus crimes contra a honra, pagar pelos danos morais e materiais que vem casando.

Não surpreende que o site mafioso-sionista tenha levado muitos dias para se pronunciar sobre o rabino ladrão de gravatas Henry Sobel e que tenha, depois do longo silêncio, passado a mão no solidéu do rabino gatuno, que, aliás, agora se sabe, já tinha sido pego por roubo de gravatas nos anos 90, também nos Estados Unidos, conforme li na revista Época, em reportagem favorável ao líder espiritual ladrão.

Para quem rouba terras e preciosa água dos palestinos há mais de seis décadas, para quem massacrou vários povos para roubar-lhes a terra e tudo o mais na Antigüidade, segundo a própria Bíblia hebraica, roubar gravatas é normal, caluniar e difamar é normal, matar e torturar é normal, desde que seja feito por eles. Eles podem tudo. Afinal, têm o Museu do Holocausto. Está na hora de dizer não à chantagem mafiosa-sionista. Estou fazendo a minha parte. Quanto mais me atacam, mais me dão vontade de lutar. Corja, cambada!

Uma resposta para 'Federação Israelita de S. Paulo é ré confessa em processo movido por Gilson Gondim'

  1. Oriente Médio Vivo - Divulgação diz:

    Está publicada a Edição nº 86 do jornal Oriente Médio Vivo.

    Para um link direto de download da Edição nº 86, clique no seguinte endereço:
    http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_86.pdf

    Nesta nova edição, as manchetes são:

    - Irã falava a verdade desde o início

    - Palestina: triste realidade

    - Resistência Iraquiana - eventos da semana

    Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 86), tratando dos crimes israelenses contra o povo palestino, em 1984.

    Você pode baixar a mais nova edição, assim como todas as anteriores, no nosso website, no endereço:
    http://www.orientemediovivo.com.br

    Aproveitando esse momento, gostaria de convidá-los para o novo Fórum de Discussão do Oriente Médio Vivo, no endereço abaixo:
    http://www.orientemediovivo.com.br/forum

    Agradecemos desde já pelo interesse e atenção.

    Para qualquer outra informação, sugestão, crítica ou comentários, não hesite em entrar em contato conosco, através do e-mail:
    contato@orientemediovivo.com.br

    Mais uma vez, obrigado.

    Cordialmente,
    Humam al-Hamzah
    Oriente Médio Vivo
    www.orientemediovivo.com.br



Escrito por lucianohanna às 02h27
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HUMILHAÇÃO

O técnico Mano Menezes não aceitou a proposta da diretoria cruzeirense para dirigir, no próximo ano, o esquadrão rosa-azul. Preferiu dirigir um time da segunda divisão. Há maior humilhação que isso?



Escrito por lucianohanna às 15h01
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SONHO ENRUSTIDO

Sempre desconfiei que o sonho dos cruzeirenses era torcer pelo GALO. E não é que eu tinha razão. Na última rodada do brasileiro, a cada gol do GLORIOSO no Parque Antártica, a torcida rosa-azul pulava de alegria.

Escrito por lucianohanna às 14h53
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"DIREITO PERPÉTUO"

Essa notícia saiu no jornal francês “Lê Monde”. A tática é sempre a mesma, embora os objetivos nem sempre sejam claros.

 

Hebron, uma cidade cobiçada pelos colonos israelenses
Michel Bôle-Richard
Enviado especial a Hebron (Cisjordânia)


Para os colonos, não há dúvida alguma: o lugar é estratégico. Situada no topo de um morro que domina um pequeno vale, a enorme construção permite controlar o acesso ao coração histórico de Hebron. Este prédio de quatro andares, de uma superfície total de 3.500 m2, é acima de tudo uma aquisição capital na conquista do território palestino pelos colonos, pois ele permite estabelecer um vínculo entre a colônia de Kyriat Arba e a Tumba dos Patriarcas, um importante local de culto desta cidade antiga, tanto para os judeus quanto para os muçulmanos.

Trata-se de uma nova peça de um quebra-cabeça que está sendo montado com o objetivo de expulsar a população palestina que está instalada entre os pontos de implantação já estabelecidos na cidade antiga (onde moram entre 600 e 700 pessoas) e as duas colônias de Kyriat Arba e de Givat HaAvo (8 mil habitantes), na periferia. Com isso, o grande arco de círculo seria completado, o que permitiria recuperar em parte a posse daquilo que David Wilder, o porta-voz da comunidade judaica, chama de "a primeira cidade judaica que existiu na história, em todo o mundo".

É por esta razão que, em 19 de março, um grupo de colonos ocupou este prédio, situado perto de uma mesquita e de um cemitério muçulmano, no meio de um bairro palestino. Desde então, para estes habitantes, a vida transformou-se num inferno. Cercados pelos colonos, eles não têm mais o direito de utilizar a estrada e se deslocam a pé ou por meio de carriolas, que as novas barragens nem sempre deixam passar. A polícia e o exército estão onipresentes. Um posto de vigilância foi instalado perto e também sobre o teto do prédio. Mais adiante, do outro lado do pequeno vale, foi montada uma torre de observação. Uma dezena de famílias se instalou no edifício, onde elas contam com a proteção máxima das forças de segurança. A imprensa está proibida de entrar no recinto.

Os colonos que ali se instalaram estão decididos a ficar e informaram isso aos seus vizinhos, que consideram como indesejáveis. Um relatório publicado pela organização israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem informa que o edifício foi conectado à rede elétrica e que foram iniciadas obras destinadas a permitir a instalação de novos colonos. O documento denuncia "os abusos e os atos de violência perpetrados pelos colonos e pelas forças de segurança, além das proibições crescentes que vêm entravando a liberdade de movimento dos palestinos". A B'Tselem enumera todos os ataques que ocorreram ao longo dos últimos sete meses: "Agressões físicas e verbais; insultos; maldições; arremessos de pedras, de urina, de ovos, de lixo, de garrafas vazias", tudo isso diante dos olhares indiferentes das forças de segurança que, elas também, são acusadas de cometer maus-tratos e humilhações.

"Os colonos não se cansam de nos atacar. O meu filho foi arrastado para fora da casa e surrado", lamenta-se Bassam Jaabari. "Eles me proibiram de trazer mercadorias para cá. Eles cospem sobre a nossa gente, arremessam latas de lixo contra nós. Eles não nos consideram como seres humanos. Eles tentam nos obrigar a partir a todo custo. O meu irmão está encarcerado desde 5 de agosto, junto com seis outras pessoas acusadas de terem arremessado pedras. Isto aqui se tornou um inferno". Bassam Jaabari é proprietário de uma pequena loja situada na parte de baixo do morro onde fica o edifício ocupado pelos colonos, o qual foi batizado de "a casa da paz". "É para mostrar que os árabes e os judeus podem viver em paz", diz, muito seriamente, David Wilder. Ele explica que as acusações da B'Tselem não passam de "uma fabricação". "Não existe prova alguma, não há nenhuma imagem sequer. Os judeus querem viver em Hebron, e quando aparece uma propriedade para comprar, é normal que eles o façam".

Falsas certidões de propriedade

Diferentemente do que afirma David Wilder, as provas de que atos de violência foram cometidos são numerosas. A B'Tselem forneceu aos palestinos pequenas câmeras que lhes permitiram filmar diversas agressões. Já em relação à suposta compra do prédio, os palestinos recusam-se a vendê-lo, nem mesmo sob a pressão. Fayez Al-Rajabi, o proprietário, conta que nunca vendeu este edifício, do qual ele havia comprado o terreno, 13 anos atrás, de um jordaniano. Neste terreno, ele havia empreendido edificar uma construção cujas obras sofreram atrasos por causa da Intifada.

Para este garagista, os documentos de propriedade dos colonos foram "forjados". "Minha casa me foi roubada", acusa. Ele chegou a passar seis meses na prisão, porque a Autoridade palestina suspeitou que ele teria vendido a casa para colonos. O que foi considerado como um ato de colaboração. No domingo, 18 de novembro, o inquérito governamental solicitado pela Alta Corte concluiu que efetivamente, ele não havia vendido o seu bem e que, em conseqüência, os ocupantes dele deveriam ser desalojados o quanto antes.

Ao que tudo indica, os colonos compraram efetivamente deste mesmo jordaniano, um certo Ayoub Jaber, uma propriedade que ele já havia vendido para o garagista. O procurador da Alta Corte havia considerado que existem "sérias dúvidas em relação à autenticidade dos documentos apresentados pelos colonos". Alguns meses atrás, o ministério da defesa havia ordenado a expulsão dos colonos. Mas estes haviam entrado com um recurso.

Para os colonos, o mais importante é ganhar tempo. Eles se instalam e criam no terreno uma situação de fato. "Nós estamos em nossa casa e nós temos a intenção de comprar tudo o que for possível comprar, isso porque Hebron", martela David Wilder, "é um lugar de importância histórica para o judaísmo".

Tradução: Jean-Yves de Neufville



Escrito por lucianohanna às 19h42
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TOLERÂNCIA E LIBERDADE DE IMPRENSA

É de conhecimento de todos a comoção ocorrida em alguns países muçulmanos em decorrência da publicação, em um jornal dinamarquês, de charges sobre Maomé. Uma das charges mostrava Maomé usando um turbante em formato de bomba; outra, reproduzia a figura do profeta dizendo que o paraíso estava ficando sem virgens para os homens-bomba. A intensidade dos protestos parece ter atingido o ápice no Irã, onde a população invadiu a embaixada da Dinamarca.

Jornais da França, Espanha, Itália e Alemanha, no afã de demonstrar a força de uma imprensa livre e os valores de uma sociedade fundada na "razão", logo republicaram as charges.

A inepta e maliciosa mídia brasileira tratou de recriminar sumariamente os protestos, indignada com o que foi, por ela, chamado de fundamentalismo louco, radical e reflexo de uma sociedade que desconhece o conceito de liberdade e, sobretudo, o de liberdade de imprensa.

Algum tempo depois, com os ânimos mais calmos, foi feito um documentário por um jornalista inglês. Este jornalista percorreu diversos países muçulmanos, com o intuito de esclarecer os fatos ocorridos após a publicação das charges. Procurou entrevistar vários participantes das manifestações. Um dos pontos culminante é a entrevista com um senhor iraniano, já idoso e apontado como um dos líderes da invasão à embaixada da Dinamarca. Num determinado momento da conversa, foi abordada a guerra Irã-Iraque e o senhor iraniano lembrou, emocionado, a morte de seus dois filhos. Um deles, não me recordo se o mais velho ou o mais novo, foi morto após uma bomba explodir em seu colo. Com a barriga e as pernas estraçalhadas, seus amigos não puderam fazer muito por ele. Alguém, ainda, tirou um foto, em que se vê um corpo banhado em sangue. Tudo isso foi presenciado pelo pai do moço.

O outro ponto culminante do documentário, em minha opinião, foi o "teste" aplicado aos jornais europeus para verificar o seu próprio grau de liberdade e tolerância. A equipe, responsável pelo documentário, procurou diversos veículos de comunicação e lhes propôs a publicação de charges ridicularizando o chamado "holocausto" cometido pelos nazistas contra os adeptos da religião judaica na Segunda Guerra Mundial. Como era de se esperar, nenhum jornal aceitou publicar tais charges. Um pequeno jornal da Dinamarca foi o único que decidiu publicá-las. Resultado: o jornalista responsável pela decisão foi demitido e, pouco tempo depois, o jornal, pressionado, encerrou suas atividades!!! Mas, pasmem, tudo isso sem que ao menos uma charge fosse publicada. A só ameaça de publicação acarretou todos esses dissabores ao extinto jornal dinamarquês.

O mundo ocidental bradava por tolerância e liberdade quando o problema era o "outro", uma outra civilização, atrasada materialmente (mas não espiritualmente) e, sob muitos aspectos, incompreendida pelos ocidentais. Tolerar algo distante de nós, que não atinge diretamente o espírito de um povo, não é tolerar. Ao se deparar, porém, com problemas internos , com aspectos mal resolvidos da sociedade européia, ela não conseguiu se colocar acima das próprias críticas. Mas, numa ausência total de autocrítica, foi incapaz de perceber suas próprias deficiências.



Escrito por lucianohanna às 23h09
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SADAM HUSSEIN E OS CURDOS

Em texto aqui postado no dia 26/10/2007, intitulado  “A divisão do Iraque”, escrevi que os curdos iraquianos sempre foram respeitados pelos sunitas, etnia a qual pertencia Sadam Hussein.

 

Essa é, também, a visão do sociólogo e arabista Lejeune Matro Grosso. Em um de seus artigos, publicado no site www.vermelho.org.br, escreveu o citado arabista:

 

De todos os estados nacionais onde os curdos vivem, nenhum outro os tratou tão com dignidade como no Iraque, especialmente no governo de Saddam Hussein. Ainda que a imagem da mídia, sempre distorcida, mostrava dureza nesse tratamento, apenas no Iraque, na região do Kirkut, os curdos viviam uma espécie de autonomia relativa. Suas bandeiras eram hasteadas nas repartições públicas iraquianas, as escolas públicas na região eram bilíngües e os professores também ensinavam em língua curda. Tinham inclusive um parlamento regional com autonomia. Algo parecido com o que ocorre nas duas Irlandas e mesmo no País Basco”.

 

A mídia brasileira, mistura de inépcia estrutural com oportunismos conjunturais, sempre omitiu esses fatos, limitando-se a noticiar o inverídico genocídio praticado pelo governo de Sadam Hussein.



Escrito por lucianohanna às 01h02
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UM PILAR DA ÉTICA

Peter O’Toole ficou mundialmente famoso ao interpretar o tenente T.E.Lawrence, no filme Lawrence da Arábia. O filme teve como base o livro Os sete pilares da sabedoria, escrito por Lawrence após sua participação na Primeira Guerra Mundial, ao lado dos árabes.

À época de seu lançamento (1962), os cinemas americanos tinham dificuldade em projetar mais de duas sessões por dia, em razão da longa duração do filme. Esta dificuldade gerava conseqüências na bilheteria, pois um número menor de sessões representava um número menor de consumidores. O lucro da indústria, desse modo, ficava comprometido. Resultado: mais de uma hora e meia do filme foi cortado. Mesmo com esta mutilação, foi ele um sucesso estrondoso, ganhador de vários prêmios.

Várias décadas após seu lançamento, o filme foi relançado sem cortes, no que hoje se convencionou chamar de "a versão do diretor". Aconselho a todos, se desejarem, assistir a versão integral deste grande filme (grande em todos os sentidos) e não perderem tempo com as suas inúmeras versões mutiladas.

Aliás, o filme tornou mundialmente conhecido não somente Peter O’Toole, como também o ator Omar Sharif, qualificado, comumente, como um ator de origem egípcia, mas, na realidade, nascido no Líbano. Era cristão e se converteu ao islamismo para se casar. Como conseqüência desta conversão, foi obrigado a mudar seu nome para Omar Sharif (chamava-se Michel Demitri Shalhoub).

Peter O’Toole (Lawrence) e Omar Sharif (sharif Ali), no entanto, por muito pouco não perderam a chance de participar deste épico do cinema. Isto porque, os produtores haviam escolhido outros atores para interpretar os personagens de Lawrence e do sharif Ali. Para o papel de Lawrence, foi chamado, inicialmente, Marlon Brando, que não aceitou o convite. Tentaram, então, contratar Albert Finney, mas o ator já estava escalado para trabalhar em outro filme. Somente após ambas as recusas, o nome de Peter O’Toole foi cogitado. O diretor David Lean ficou impressionado com sua performance no filme "The day they robbed the bank os england", de 1960. Dizem que o produtor do filme, Sam Spiegel, ao assistir a este filme teria dito: "Ele não é bom. Eu sei"... Apesar da "respeitável" e muito pouco profética opinião de Sam Spiegel, Peter 0’Toole foi o escolhido, para deleite daqueles que adoram cinema.

Para interpretar o papel do sharif Ali, por sua vez, foram chamados o francês Alain Delon e um ator alemão, um pouco menos conhecido. O diretor David Lean ficou insatisfeito com ambos e resolveu apostar na contratação de um ator árabe. Omar Sharif, já conhecido no Egito, fez os testes exigidos e, pouco depois, foi chamado e contratado para o papel.

Há uma Bela passagem envolvendo os dois atores. Durante os mais de duzentos dias de filmagens, com locação no deserto da Jordânia, Peter e Omar sonhavam todos os dias com a fama e com o lançamento do filme nos EUA. Não se sabe bem o porquê, chegado o tão esperado momento, foi vetada a participação de Omar Sharif nas pré-estréias do filme nos EUA. Ao tomar conhecimento deste fato, Peter O’Toole imediatamente informou aos produtores sua decisão de somente participar do lançamento do filme nos EUA se seu colega, Omar Sharif, também estivesse presente. Como a presença de Peter O’Toole era indispensável para a publicidade do filme, o estúdio e os produtores não tiveram outra alternativa se não a de permitir a participação de Omar Sharif. Por ironia, no ano seguinte, Omar Sharif viria a ganhar, nos EUA, o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante pela sua interpretação do sharif Ali (Peter O’Toole concorreu ao Globo de Ouro e ao Oscar de melhor ator principal e perdeu em ambas).

Surgiu entre eles uma grande amizade e rendeu a nós, cinéfilos, a oportunidade de vê-los em grandes atuações (fala-se até pouco da atuação de Omar Sharif no papel de Ali, talvez pelo fato de o Lawrence de Peter O’Toole ser uma das maiores interpretações da história do cinema). Voltaram, os dois, a contracenar em muitos outros filmes, dentre eles, A noite dos generais, também imperdível.



Escrito por lucianohanna às 19h37
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CPMF

Criar ou aumentar tributos quase nunca foi uma política simpática aos olhos dos contribuintes. Some-se a isto a histórica ineficiência do Estado brasileiro em cumprir suas funções, e teremos um alto grau de intolerância a qualquer novidade arrecadatória (leia-se: criação ou majoração tributária).

Natural seria, diante disso, a população, primeiramente, concentrar sua revolta contra os tributos mais onerosos, dentre eles, por exemplo, a COFINS. Não é isso, porém, o que tem acontecido. A "vilã" da vez é a CPMF, cuja alíquota, porém, é bem inferior à da COFINS e à de outros tributos. Qual, então, a razão desse fato? A quem interessa a extinção da CPMF?

A intolerância da população brasileira em face da CPMF tem várias causas, mas uma em especial: a maciça campanha da mídia contra esta contribuição. É claro que os meios de (des)informação colocar-se-ão, diante dessa e de outras acusações, como um reflexo da sociedade, isto é, a imprensa se vê sempre como um efeito e nunca como a causa de algum fenômeno ou fato.

Em todos os jornais, impressos e falados, o inconformismo da mídia é patente. Jogam com a emoção dos indivíduos e manipulam as informações, dadas sempre de forma truncada. A sensação que fica é a de que existe algo por trás do emaranhado de informações, omitido propositalmente para nos manter na ante-sala da realidade.

A imprensa, porém, nada mais faz do que jogar o jogo do grande capital, grupo ao qual ela própria pertence. E os interesses desses grupos são antagônicos, se não em relação à principal finalidade da CPMF – destinação de recursos à saúde -, com certeza a um de seus efeitos indiretos mais controvertidos: o cruzamento de dados entre os valores pagos por cada contribuinte a título de CPMF com os valores arrecadados a título de IR (imposto de renda).

O governo verificou que, dos cem maiores contribuintes da CPFM, mais da metade nunca havia pago imposto de renda! Empresários caracterizados como microempresas, para efeito de imposto de renda, estavam entre os maiores contribuintes da CPMF, isto é, movimentavam milhões de reais por mês, mas eram isentos do imposto de renda por serem "microempresas".

Esses dados esclarecem o porquê de a CPMF ser tão impopular ao grande capital, mais impopular até do que tributos mais onerosos a ele, como é o caso da COFINS, do IPI, do ICMS, isso para falar de apenas três espécies tributárias.

 



Escrito por lucianohanna às 14h20
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IRÃ

Mohamed el Baradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, declarou, no dia 29 de outubro de 2007, que não tem provas de que o Irã queira construir uma bomba atômica. A finalidade única das usinas atômicas seria a geração de eletricidade.

A construção de usinas atômicas é, para o Irã, essencial para o seu desenvolvimento. A geração de eletricidade seria o único fim dessas usinas. Esse discurso, porém, não foi suficiente para convencer os EUA e seus aliados. Pressionada pela comunidade internacional (leia-se: EUA e Europa), a ONU já vinha tomando medidas contra o Irã. A declaração de Mohamed el Baradei, contudo, esfria um pouco o anseio dos EUA e Europa, ainda que não seja forte o bastante para impedir, num futuro breve, novas sanções contra os persas.

Ao contrário de Israel, nenhum outro país do oriente médio tem permissão para desenvolver e construir usinas atômicas. Eis que surge a notícia, então, um dia após as declarações de Mohamed el Baradei, de que o Egito pretende lançar seu próprio projeto atômico. O discurso é o mesmo do Irã: construção de usinas atômicas unicamente para geração de energia elétrica. Resta esperar, agora, para ver qual será a atitude dos EUA em relação ao Egito. Talvez o objetivo do Egito nem mesmo seja a construção dessas usinas, e o discurso vise apenas a atingir outros fins (essa pode ser a estratégio do Egito). O certo, porém, é que para o Irã essa decisão do Egito não poderia vir em melhor hora.



Escrito por lucianohanna às 16h26
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A Divisão do Iraque

     A questão curda envlove diretamente dois países: Turquia e Iraque. Os curdos querem constituir uma nação: o curdistão. Há curdos na Turquia e no Iraque e nesses dois países eles se dizem perseguidos. A controvérsia sobre essas perseguições é grande, já que há vários relatos, omitidos pela imprensa brasileira, de uma mútua hostilidade.

     A liderança curda percebeu que chegou o momento de forçar, ainda que a custos enormes, a criação de um Estado curdo. Esse Estado teria que ser criado, na mente dos curdos, no norte do Iraque ou no sul da Turquia. Como as chances de criar um Estado no sul da Turquia são mínimas, ou mesmo inexistentes, os olhos se concentraram no norte do Iraque. E a própria situação atual do Iraque favorece os curdos.

     O Iraque está esfacelado e começa a ficar dividido. Essa divisão, entre sunitas e xiitas, que as minhocas da imprensa brasileira julgam ser ontológicas (essenciais), é fabricada. Existe, é claro, controvérisias doutrinárias a colocar, de um lado, os sunitas, e de outro, os xiitas. Mas isso nunca os impediu de viverem durante 1.500 anos uns ao lado dos outros. Pelo menos até agora, já que a propaganda ideológica está tentando incutir na cabeça deles a impossibilidade de coexistência dentro de um mesmo país.

     Com base nisso, xiitas ao sul e sunitas no centro e um pouco ao norte (onde são maiorias em relação aos próprios curdos), o Iraque já seria dividido em duas partes: sul e centro-norte. Mas eis que surge, então, mais um "sujeito" histórico: os curdos. Como esses últimos não desejam dividir um território com os sunitas, ainda que os sunitas sempre tenham convivido com eles e, mesmo sob Sadam Hussein, tenham respeitado suas peculiaridades (tanto que os curdos têm liberdade de ensinar, nos territórios que ocupam, o curdistão como primeira lingua e o árabe, como segunda lingua), a opção é dar-lhes a sua independência, de modo que o território do Iraque seria dividido em três partes: sul (xiita), centro (sunita) e norte (curdos).

     Os EUA e a Europa têm interesse nessa divisão. Isso, aliás, remonta à Primeira Guerra Mundial. Em troca de ajuda militar para combater os turcos, então inimigos da Tríplice Etente, França e Inglaterra prometeram aos árabes a tão sonhada indepedência (os árabes sofriam dominação turca há séculos). O objetivo dos árabes era constituir a grande arábia. Ao final da guerra, os europeus se opuseram a esse objetivo árabe e fracionaram o poder, formandouma série de Estados, alguns, inclusive, verdadeiros Estados-tampão (Kuwait, Catar Emirados Árabes). O medo de uma aliança árabe, sob a autoridade de um único líder (Faiçal) era enorme.

     Ainda hoje, a política aplicada ao oriente médio tem em foco essa finalidade: fracionar ao máximo o poder. Sadam Hussein representava uma ameaça aos EUA e à Europa, em razão de sua proeminência como líder na região. Resultado: foi enforcado (não deve ser esquecido que foi julgado por um juiz curdo).

     Esse parece, atualmente, o destino da região. O petróleo e o gás, que tanto enriquecem uma pequena parcela da população, é fonte de riqueza, mas também de muitos sofrimentos.

    



Escrito por lucianohanna às 19h02
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O Jeitinho no Brasil do Ministro Marco Aurélio

     O Supremo Tribunal Federal concluiu, nessa tarde de quarta-feira (24/10/2007), o julgamento da ADI (ação direta de inconstitucionalidade) n. 3.819. Nesta ADI discutia-se dispositvos legais de duas leis mineiras que tornavam estáveis, no cargo de Defensor Público de Minas Gerais, 124 funcionários públicos aprovados em outros concursos. Assim, por exemplo, alguém prestava concurso para o cargo de analista ou advogado de algum órgão e depois era aproveitado na função de Defensor Público, sem submeter-se ao concurso específico da Defensoria Pública. O Supremo julgou, por maioria, inconstitucionais tais dispositivos e, ao modular os efeitos da decisão, deu o prazo de 6 (seis) meses ao Governo de Minas Gerais para resolver essa situação, desligando esses funcionários da função de defensor público.

     Como dito acima, o julgamento se deu por maioria, já que o Ministro Marco Aurélio manifestou-se pela constitucionalidade dos dispositivos (O Ministro Gilmar Mendes estava louco para seguir o entendimento de Marco Aurélio, mas não o fez). Voto vencido nessa questão, tentou, posteriormente, convencer seus colegas a modular os efeitos da decisão valendo-se de um prazo muito maior que o de 6 (seis) meses, qual seja, o da aposentadoria de cada defensor ilegalmente beneficiado pelos dispositivos julgados inconstitucionais! Isso mesmo, eles poderiam ficar na função de defensor público até a aposentadoria. A situação é ilegal, tanto que o Supremo julgou inconstitucional as leis, mas, na ótica do Ministro Marco Aurélio, essa ilegalidade poderia ir se estendendo por décadas, sem o menor problema. Vê-se, claramente, que a decisão de inconstitucionalidade, se adotada essa visão, não teria qualquer efeito na prática!

     Nada mais fez o Ministro Marco Aurélio do que lançar mão do famoso argumento do jeitinho brasileiro. Isto porque, ao pretender ACOMODAR na função de defensores públicos, funcionários que não deveriam exercer essa função, pois não foram aprovados em concurso público específico para o cargo de defensor, o Ministro em questão quis legitimar e perpetuar uma situação de flagrante ilegalidade. Na ótica deste Ministro, ainda que na origem o ato tenha sido ilegal, retirar da função os funcionários ilegais acarretaria danos à população, pois o indivíduo necessitado não teria a quem recorrer. Não desejou enxergar, o referido Ministro, que já foi realizado novo concurso para suprir uma quantidade de cargos superior ao número dos funcionários ilegais. Ora, o recado do Ministro Marco Aurélio para as autoridades brasileiras foi claro: podem praticar atos ilegais à vontade, mas sejam rápidos o bastante para que, quando o Supremo analise a questão, esses atos já estejam concretizados e consumados, pois assim poderei eu, Ministro Marco Aurélio, dizer que o dano do desfazimento do ato é muito superior à sua manutenção, ainda que o ato tenha sido de uma ilegalidade atroz.

     Dano muito maior, Sr. Ministro Marco Aurélio, é legitimar atos ilegais e anti-éticos, criando no imaginário da população brasileira a idéia de que o valor do indivíduo é medido pela sua esperteza e malandragem, ou seja, pelo jeitinho de levar vantagem em tudo.



Escrito por lucianohanna às 00h31
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UNIVERSIDADE III

     Última parte do artigo de Otto Maria Carpeaux.

 

Poder-se-ia acreditar que os grandes obstáculos dessa revolução fossem os capitalistas e os trabalhadores, ou, na Rússia, um regime milenário e eclesiasticamente consolidado. Engano. Vimos a fraqueza incrível do regime tzarista, a derrota fácil dos socialistas, o suicídio dos capitalistas. O verdadeiro obstáculo – e Sorel o previra bem – era a Inteligência. É ela que merece as diatribes mais cruéis dos chefes e dos caudilhos. Para a vitória final, precisa-se acabar com a Inteligência.

Como? Não é a classe média o principal agente dos movimentos espirituais? Sim, é, ou, melhor, foi. O século XIX, o século liberal, abre a todos todas as possibilidades. A educação superior é o caminho da ascensão. A preeminência da classe média no século XIX baseia-se na sua cultura universitária. Mas o século XX acaba com isso. O grande capitalismo precisa mais de exércitos de pequenos empregados do que de self-made men; as profissões liberais estão superlotadas; o movimento socialista repele os que resistem à proletarização e suas humilhações e privações. Privada dos privilégios da Inteligência, a classe média quebra furiosamente o instrumento, como uma criança quebra o brinquedo insubmisso. É uma criança, essa nova classe média; mas uma criança perigosa, cheia dos ressentimentos dos déclassés, furiosa contra os livros que já não sabe ler e cujas lições já não garantem a ascensão social. Está madura para a violência.

A violência é o fenômeno "espiritual" central das novas classes médias e da nossa época; significa a determinação de empregar todas as armas, todas as que o esforço do espírito criou, para conseguir um fim material: a salvação social da classe. Não se admitem outros fins. Ridiculizam ou anatematizam todos os esforços independentes, desinteressados, do espírito. Admiram a especialização útil do "intelectual de profissão", e banem o humanismo do "professor". A violência anti-intelectualista das novas classes médias é, afinal, uma falta de educação, ou, antes, o fruto de uma falsa educação. Fruto da falsa idéia que as classes médias formavam da Universidade: da nova Universidade, que fornece exércitos de médicos, advogados e técnicos, em vez de "clercs", de uma elite.

O problema capital do nosso tempo, o problema da elite, é, no fim das contas, um problema de pedagogia humanística. Existe mesmo, hoje, política que consiste na exterminação das elites pelas armas dos especialistas. E foi bem preparada: da diminuição das lições latinas, existe apenas um passo para a destruição dos livros e dos museus.

O resultado mais freqüente da moderna educação universitária é um decidido adeus aos livros. Mais tarde, combaterão as "línguas mortas" na escola. Enfim, declararão inútil todo o ensino secundário, com as suas idéias vagas e inúteis duma "cultura geral"; talvez toquem, com isso, no ponto nevrálgico da discussão. Todo o problema espiritual dos nossos dias é, pois, um problema de falta de educação humanística, um problema pedagógico; e todo o problema pedagógico dos nossos dias é um problema da escola específica das classes médias, da escola secundária.

Segundo o regime escolar vigente em todos os países, sem exceção, a Universidade dedica-se ao ensino profissional superior, enquanto a "cultura geral" fica reservada ao ensino secundário, aos ginásios e aos liceus. Quer dizer: o ensino da cultura geral limita-se aos jovens de dez a dezoito anos. Depois, a "cultura" termina, e a medicina e a jurisprudência começam, sem nenhuma "cultura geral". Os conhecimentos do ensino secundário empalidecem, naturalmente, com o tempo; mas ainda há coisa pior: todo esse ensino de "cultura geral" é feito ao alcance de jovens de dez a dezoito anos: a história, a filosofia, a literatura, amoldadas ad usum Delphini, e forçosamente puerilizadas. E aí fica. Nunca mais o jovem médico ou engenheiro ouve falar em história, filosofia, literatura, exceto pela imprensa ou pelo rádio, que se colocam ao alcance do espírito das grandes massas, pueris por natureza. Resultado: um espírito artificialmente preservado no estado pueril com uma formação profissional superposta. Conheço bem as numerosas exceções que felizmente existem. Mas, em geral, estas massas graduadas se distinguem dos iletrados somente por uma autoridade profissional que as torna menos úteis que perigosas. Ainda uma vez cito Ortega y Gasset: La peculiarísima brutalidad y la agresiva estupidez con que se comporta un hombre, cuando sabe mucho de una cosa y ignora de raiz todas las demás. (O. c., p. 1291). Eles, porém, os iletrados, têm sempre razão, porque são muitos e ocupam um lugar de elite, esse "proletariado intelectual", sem dinheiro ou com ele, isso não importa. Julgam tudo, e tudo deles depende. Lêem os livros e decidem sobre os sucessos de livraria, criticam os quadros e as exposições, aplaudem e vaiam no teatro e nos concertos, dirigem as correntes das idéias políticas, e tudo isto com a autoridade que o grau acadêmico lhes confere. Em suma, desempenham o papel de elite. São os nouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos; e nós sofremos as conseqüências, amargamente, cruelmente.

We are entered in a race between education and catastrophe. Wells tem muita razão. Mas é de grande importância datar a desgraça. Esta catástrofe irrompeu sob o signo do progresso, e o progresso ilimitado, muito do gosto de um Wells, cavará mais profundamente o abismo. O verdadeiro caminho é a volta.

Temos mais uma vez "a disputa do medievalismo". Uma coisa fica, porém: a Universidade é uma criação da Idade Média. Todas as universidades medievais são, por princípio, instituições "clericais": elas formam os clercs. O restabelecimento das universidades "clericais" é uma restauração de tradições.

Quatro ou cinco faculdades reunidas não constituem ainda uma universidade. Elas não criam esta "convivence of sciences, which forms a philosophical habit of mind", de que fala o cardeal Newman. Não se trata destas ciências ou daquelas profissões. Trata-se do espírito comum que as anima, do espírito filosófico, anti-utilitário, desinteressado, que as nossas universidades perderam, e que é a própria Idéia de Universidade. Derrubemos, pois, este estado de coisas. É ao ensino secundário que cabe o preparo do ensino profissional, dispensado nos hospitais e na magistratura. Em conclusão, é à Universidade que incumbe a formação do espírito da "clericatura".

Voltemos aos estudantes: o seu utilitarismo, mais perigoso que o das ciências, perdurará enquanto a freqüência das universidades for a chave para as posições de mando na sociedade. Verdadeiramente, o oposto deste utilitarismo é o desinteresse, no qual Newman via o espírito e a idéia de universidade, o espírito do clero universitário medieval que se sentia independente do mundo e somente responsável perante Deus. Sem tais padres o altar fica vazio e o culto abandonado. Poderia chegar o dia em que ninguém compreenderia mais as fórmulas nem os poemas, em que os quadros de Rembrandt seriam pedaços de tela e as partituras de Beethoven farrapos de papel; dia da barbaria, em que a história humana se transformaria, pela sucessão de desgraças, num formigueiro mal organizado. E este dia talvez já esteja mais próximo do que realmente pensamos. "Somos a última reserva, fiquemos conscientes disto." – dizia Hugo Ball. Fiquemos conscientes, "dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust".

 



Escrito por lucianohanna às 17h58
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UNIVERSIDADE II

     Continuação da primeira parte do artigo de Otto Maria Carpeaux.

 

Mas o que é ainda mais notável é uma certa coincidência. Sabemos que a Universidade, Universitas Litterarum, é uma criação da Idade Média. Ora, os ditos regimes não se ocupam com as ciências naturais, que a Idade Média conhecia pouco, e que se juntaram mais tarde à Universidade. Tratam somente das "velhas" ciências, das Litterae, que na Idade Média já eram conhecidas, e que formam a verdadeira alma da Universidade. Está claro. Foram justamente estas Litterae que formaram os caracteres das nações; e aquele que desejar transformar uma nação deverá transformá-las integralmente. Eles sabem o que é uma universidade.

A história das universidades é a história espiritual das nações. A França medieval é a Sorbonne, cujo enfraquecimento coincide com a fundação renascentista do Collège de France, e cujo prolongamento moderno é a Ecole Normale Supérieure. A Inglaterra, mais conservadora, é sempre Oxford e Cambridge. A Alemanha luterana é Wittemberg e Iena; a Alemanha moderna é Bonn e Berlim. As velhas universidades são de utilidade muito reduzida. Elas não fornecem homens práticos; formam o tipo ideal da nação: o lettré, o gentleman, o Gebildeter. Elas formam os homens que substituem, nos tempos modernos, o clero das universidades medievais. Elas formam os clercs.

As universidades americanas têm a mesma origem. As velhas universidades da América Latina – Lima, México, Bogotá, Córdova – são fundações da Coroa de Espanha; mas foram, desde o início, confiadas aos frades, e já a primeira cédula de fundação, a ordem real do imperador Carlos V, de 21 de setembro de 1551, dá claramente a entender o sentimento da responsabilidade perante o espírito, o espírito desinteressado da Universidade medieval: Para servir a Deus, Nosso Senhor, e ao bem público de nossos reinos, convém que nossos vassalos, súditos e naturais tenham Universidades e Estudos Gerais em que sejam instruídos e titulados em todas as ciências e faculdades, e pelo muito amor e vontade que temos de honrar e favorecer aos de Nossas Índias, e desterrar deles as trevas da ignorância, criamos, fundamos e constituímos na cidade de Lima dos reinos do Peru, e na cidade de México da Nova Espanha, Universidades e Estudos Gerais. Nada mais eloqüente, admirável, do que semelhantes termos haverem sido empregados quando os puritanos fundaram, em 1636, a primeira universidade da América inglesa, a de Harvard: After God had carried us safe to New England, and we builded our houses and settled the Civil Government; one of the next things we looked after was to advance Learning and perpetuate it to Posterity, dreading to leave an illiterate Ministery to the Churches, when our present Ministers shall lie in the dust. (New England's First Fruits, 1643.) (Depois que Deus nos tinha seguramente conduzido a Nova-Inglaterra, e que construímos as nossas casas e estabelecemos um governo civil, uma das nossas primeiras ocupações foi estimular o ensino e perpertuá-lo para a posteridade, com receio de deixar às igrejas um clero iletrado quando os nossos clérigos atuais jazerem em pó.)

O que resta destas Universitates Litterarum? O nome. Já não formam lettrés, nem gentlemen, nem Gebildeter; formam médicos, advogados, professores. As universidades tornaram-se lugares de investigações científicas; e é um romantismo utilitário que vem muni-las das asas do progresso. Não há mais clercs, só há estudantes.

Quem é o culpado? Ainda uma vez apelo para aqueles que disso entendem. Por toda parte onde há aqueles regimes os estudantes estão nas vanguardas da violência. Não é um acaso. Ouso responder: os estudantes são os culpados.

Há duas espécies de estudantes: chamá-las-emos os "ricos" e os "pobres", sublinhando que há pobres entre os "ricos" e ricos entre os "pobres"; são apenas duas expressões cômodas para abraçar uma generalização inevitável. Os estudantes "pobres" são aqueles que estudam "para a manteiga e para o pão"; estudam para se assegurarem um melhor sucesso na luta pela vida. Seria cruel e estúpido censurá-los. Antes, devemos admirá-los, em virtude dos sacrifícios, muitas vezes imensos, feitos por eles e seus pais para melhorar um futuro incerto e tornar a existência mais digna. Todavia, importa não se dissimularem os graves inconvenientes. Estudantes "pobres", há muitos deles: vivem embaraçados pela miséria, pelas ocupações acessórias para ganhar a vida; sobretudo têm pressa de terminar os estudos. Junte-se a isto a benevolência, plenamente justificável, que os examinadores lhes devem como recompensa dos seus esforços. Em suma, o nível baixa sensivelmente. O nível baixa, dizemos, até o nível dos estudantes "ricos". São estes os que têm necessidade de um grau acadêmico, porque o pai tem um, porque isto dá certa consideração na sociedade ou para adornar fortuna um pouco recente. Entre os estudantes "ricos" existem os pobres que desejam manter penosamente o standard de uma família em decadência, o que é, aliás, muito louvável. Existem outros verdadeiramente ricos, que não têm necessidade de estudar, mas que através dos estudos testemunham grande respeito às ciências; e estas, por sua vez, precisam deles, para subsistir materialmente. Em todo caso, os seus estudos não são de necessidade absoluta; eles não estudam mais do que o necessário, o indispensável para passar nos exames; os esforços ulteriores parecem-lhes ridículos. E são eles que, pela sua situação social, determinam o nível geral. E esse nível é a morte da Universidade.

Queixam-se de que as universidades já não fornecem elites. Sim, mas em compensação fornecem verdadeiras massas, porque as ciências modernas e suas investigações têm menos necessidade de cérebros que de batalhões de estudantes; e para isto eles satisfazem. A inteligência que é precisa para estudar uma profissão, mesmo acadêmica, não é tão grande como os leigos imaginam. Há vários séculos um sábio inglês, o cônego dr. Copleston, fellow do Ariel College, em Oxford, predizia: Ainda que a ciência seja favorecida por essas concentrações de inteligência a seu serviço, os homens que se encerram nas especializações têm a inteligência em regresso. (Citado pelo cardeal Newman, The idea of a university, p. 72). É o regredir de uma elite à condição de massa ornada de títulos acadêmicos.

É preciso que se digam, aqui, algumas verdades muito impopulares e muito desagradáveis. Existe Inteligência e existem "intelectuais". Intelectuais são os médicos, os advogados, os funcionários superiores de toda espécie, os especialistas científicos de toda sorte. Mas deve-se dizer que somente uma parte desses "intelectuais" pertence à Inteligência, que é, por seu lado, o resto dos "clercs", da elite de outrora. Sejamos sinceros: podemos ser bom médico, bom advogado, bom professor, e ter o espírito preso aos limites da profissão; e sabemos que o grau acadêmico nem sequer é sempre a garantia de boas qualidades profissionais. Mas ele confere sempre uma autoridade social. José Ortega y Gasset caracterizou essa nova espécie de intelectuais, violentamente, mas sinceramente: Nuevo bárbaro, retrasado com respecto a su época, arcaico y primitivo en comparación con la terrible actualidad de sus problemas. Este nuevo bárbaro es principalmente el profesional más sabio que nunca, pero más inculto también – el ingeniero, el médico, el abogado, el científico. (Misión de la Universidad, Obras, p. 1289).

O fato central da nossa época é a violência generalizada a todos os setores da vida pública, a violência que pretende substituir o espírito no seu papel guiador das massas. Dessas massas que os pensadores políticos muitas vezes confundem com o proletariado econômico. Sim, mas o espírito proletário, o espírito da reação violenta contra certas condições econômicas e sociais, não está exclusivamente ligado às massas obreiras; participam dele todas as "massas", como fenômenos sociológicos, e a massa dos intelectuais também. É o fato central da nossa época: as classes médias, mesmo antes de serem proletarizadas, mesmo justamente para evitar a ameaça da proletarização, transformam-se em massas proletárias. E esta proletarização interior é um fenômeno da educação. Chama-se "classes médias" o problema central da nossa época. O livro mais bem documentado que conheço sobre o fascismo, Fascisme et grand capital, de Daniel Guérin, apresenta a tese de que o fascismo é a última expressão do grande capitalismo. Tese errônea. Provando irrefutavelmente que o grande capital se serviu do fascismo para bater o movimento trabalhista, Guérin esquece-se de concluir que o instrumento se mostrou, enfim, mais forte do que o mestre, e que os operários e os capitalistas perderam, juntos, a liberdade de movimento, pela ação deste inimigo de ambos – as classes médias. Fato fundamental do nosso tempo: o fascismo propaga-se e vence através das classes médias, das quais é a expressão triunfal.

O fascismo foi impossível na Rússia. É também um fato fundamental que a Rússia não conheceu, não teve uma classe média. Ora, seguindo a corrente da época, o bolchevismo criou uma classe média. A burocracia soviética, os stakhanovistas e outras camadas privilegiadas do operariado, não são outra coisa senão uma nova classe média. Considerando, nos outros países, a ascensão de camadas igualmente novas, que o século XIX ainda não conhecia, verdadeiros exércitos de empregados privados, de funcionários públicos, de pequenos empresários, todos formados num regime de ensino secundário ou superior muito facilitado, essas massas de homens, todos mais ou menos educados, essas multidões de "pequenos intelectuais"; considerando essas multidões de homens novos, nem capitalistas nem trabalhistas, que Karl Marx não podia prever, deve-se precisar o pensamento: o fascismo e o bolchevismo têm o lado comum de serem expressões das novas classes médias. E a ideologia que permite explicar o espírito das novas classes médias é a ideologia pequeno-burguesa, violentamente revolucionária e anti-intelectualista.

Explica-se, por isso, que Georges Sorel, o pai espiritual comum do fascismo e do bolchevismo, Georges Sorel, o ideólogo da violência, seja um homem profundamente pequeno-burguês, representante típico das classes médias francesas, preocupado com a decadência das "autoridades sociais", que ele concebeu fielmente no espírito conservador de Le Play; preocupado, enfim, com a decadência vital da raça latina, pela qual ele responsabiliza violentamente a Inteligência; ao espírito ele prefere a vitalização pelos instintos bárbaros da massa.

Fica-se a admirar que Sorel fale em decadência, na França dos Taine e Bergson, dos Flaubert e Proust, dos Mallarmé e Claudel, dos Degas e Cézanne, dos Rodin e Debussy, dos Pasteur e Henri Poincaré, numa das épocas mais magníficas do espírito francês. Mas é por isso mesmo. Sorel é violentamente anti-intelectualista. Vê no espírito e suas obras o grande obstáculo da volta ao primitivo. Neste ponto, Sorel parece sobretudo "moderno", contemporâneo de nós outros. É a hostilidade ao espírito que liga Sorel diretamente às novas classes médias.

No pensador revolucionário Sorel não se viu o conservador, o representante das classes médias. O mal-entendido correspondente não viu nas novas classes médias as possibilidades revolucionárias. Durante um século, o século XIX, esqueceu-se que a classe média fizera a Grande Revolução. Via-se na classe média a classe essencialmente conservadora, a portadora mesma das tradições humanísticas, e ela o era enquanto os princípios consolidados da Revolução Francesa abrigavam a classe média contra as ameaças do grande capitalismo e do movimento socialista. Isto, porém, acabou. Chegou o dia de uma nova classe média, pronta a vencer por uma nova revolução violenta ou, como na Rússia, triunfar contra um regime obsoleto. Foi Sorel quem emprestou às novas classes médias a ideologia revolucionária.



Escrito por lucianohanna às 17h58
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